desbravando o cinema
conto

conto, conto

A comunidade em que vivo é isolada do centro urbano, mas a companhia dos meus vizinhos é o suficiente para viver bem. Quando tínhamos sinal para ouvir rádio e assistir televisão, noticiamos que uma tempestade solar iria atingir a terra e que seria a mais violenta já registrada.

Pelo jeito os cientistas não erraram, faz 3 meses que estamos sem sinal de rádio e televisão. Na parte mais alta da comunidade tem uma torre de 300 metros. Eu nunca entendi por que ela é tão grande assim.

Como não há comunicação faz 3 meses, eu resolvi subir até o topo da torre para conseguir sinal de rádio. Tem que ser eu, pois sou o mais novo da comunidade e não quero prejudicar os idosos que já sofrem trabalhando na agricultura.

Apesar da má vontade, foi lindo escalar um pedaço da montanha e ver a cidade de cima. A mala de mão estava pesada por conta do peso do rádio, mas foi satisfatório, pois com uma hora subindo a torre, eu consegui ver a cidade quase como um ponto, as nuvens e o brilho intenso do sol.

Com mais de 1 hora de subida, totalizando 2 horas, eu finalmente cheguei no topo da torre, mas muito cansado, com sede e fome e as mãos vermelhas de tanto fazer força para subir.

Abri a mala, peguei o rádio que pesava cerca de 3 quilos, posicionei a antena o mais alto possível e percebi que esqueci de conectar a bateria no rádio. Revirei a mala e adivinha? Esqueci a bateria em casa!

Desci a torre e a montanha o mais rápido possível. Cheguei em casa e notei que deixei a chave na mala que esqueci no topo da torre.

Exausto me sento e percebo que tem algo no bolso da calça. Abro o bolso e descubro que a maldita bateria estava lá o tempo todo!