desbravando o cinema
iluminação cinematografica

introdução

A iluminação cinematográfica é um dos 5 aspectos da mise-en-scène que o diretor controla em cena. Ela vai além do ato de iluminar a cena, tendo uma função narrativa, ou seja, ajuda a contar uma história.

A iluminação pode criar dois tipos de sombras: a projetada e a difusa.

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A sombra projetada é quando um corpo ou objeto bloqueia parte da luz que vem de uma vela ou outra fonte. Dessa forma, a sombra do objeto é projetada na parede.

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A sombra própria é quando um objeto ou corpo recebe luz de uma fonte luminosa e cria a própria sombra. Portanto, um corpo bem iluminado, por exemplo, pode ter alguns pontos de sombra, como o nariz que pode criar pontos escuros na bochecha.

Enfim, para que a iluminação não seja em vão e ajude a contar uma história, o diretor de iluminação precisa conhecer as principais características do sistema de iluminação.

“A luz é tudo. Ela expressa ideologia, emoção, cor, profundidade, estilo. Ela pode apagar, narrar, descrever. Com a iluminação correta, o rosto mais feio e a expressão mais idiota podem irradiar beleza ou inteligência”

– Federico Fellini, diretor

Características do sistema de iluminação e sua função narrativa

Qualidade

Primeiramente, na iluminação cinematográfica, a qualidade se refere a intensidade do fluxo luminoso e existem dois tipos, a iluminação concentrada e a iluminação difusa.

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A iluminação concentrada é direcionada com um fluxo luminoso intenso, visando focar no objeto ou corpo, enquanto o restante da cena fica mais escura. Portanto, a iluminação deixa o objeto com texturas e sombras bem nítidas.

Dessa forma, a iluminação concentrada tem como função narrativa ou pode simbolizar a revelação, quando o personagem descobre algo relevante ou tem uma compreensão importante na trama. Outra função é destacar que tal objeto ou personagem tem uma grande importância no enredo.

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A iluminação difusa cria uma iluminação dispersa, geralmente são iluminações que tem como fonte luminosa um céu nublado. Como ela é dispersa, a iluminação tende a eliminar sombras mais concentradas e a luz é mais homogênea.

Desse modo, a função narrativa da iluminação difusa são várias, algumas delas são, a naturalidade que imita a luz natural, dando sensação de realismo. Da mesma forma, a iluminação difusa pode trazer também calma e serenidade para criar uma atmosfera de tranquilidade e paz. Ela pode também estabelecer um tom emotivo, geralmente utilizado em romances.

Direção

A princípio, na iluminação cinematográfica, a direção do fluxo luminoso diz a respeito do caminho que o fluxo luminoso faz a partir de sua fonte. As direções que existem são a iluminação frontal, iluminação lateral, contraluz, iluminação de baixo e iluminação de cima.

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A iluminação frontal elimina sombras e deixa a imagem relativamente plana. Desse modo, com a iluminação frontal, todo o fluxo luminoso paira sobre o personagem e conseguimos captar as emoções.

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A iluminação lateral exibe o fluxo luminoso na lateral do objeto ou corpo, criando um efeito de sombra e luz que exibe características do personagem. Em síntese, a iluminação lateral no personagem exibe texturas e contornos, dando uma sensação de tridimensionalidade que traz drama e tensão à cena. Por outro lado, a dualidade também é presente, podendo representar a luta do personagem entre luz e escuridão.

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A contraluz vem de trás do objeto em cena e tem como função criar silhuetas e esconder identidade, deixando a cena com um tom de mistério e pode dar destaque ao personagem, com um contorno expressivo que o separa do plano de fundo.

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A iluminação de baixo é a luz que vem de baixo do objeto, ela tende a distorcer características do personagem. Tem como função criar cenas de terror, as sombras projetadas para cima criam distorções no personagem, dando um aspecto demoníaco. Ela pode também conferir dramaticidade à cena, destacando emoções intensas.

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A iluminação de cima é a luz que vem de cima para baixo. Ela pode dar um tom de realismo e efeito dramático com o destaque da sombra própria e cria um efeito de poder e autoridade ao personagem.

Fonte

A iluminação cinematográfica também se classifica de acordo com suas fontes. Em um filme, você pode ver várias fontes de iluminação, como uma vela ou uma luz de poste. No entanto, para o diretor de fotografia ter mais controle sobre o objeto iluminado, ele utiliza três padrões de iluminação: luz-chave, luz de preenchimento e contraluz.

A luz-chave é a fonte principal que cria uma iluminação dominante e projeta sombras marcantes.

A luz de preenchimento é uma iluminação menos intensa que enfraquece ou elimina as sombras projetadas pela luz-chave.

A contraluz vem de trás do objeto e cria silhuetas ou contornos fortes para enfatizar o objeto.”

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Essas 3 fontes de iluminação são conhecidas como iluminação de três pontos. Ela foi adaptada para o tipo de iluminação em high-key e iluminação em low-key.

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A iluminação em high-key usa a luz de preenchimento e contraluz para criar um baixo contraste entre as áreas mais claras e mais escuras. Normalmente a iluminação é difusa, criando cenas mais leves frequentemente usada em comédia, comédia romântica e dramas mais leves.

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A iluminação em low-key cria contrastes mais fortes com sombras mais nítidas ou profundas. Para esse efeito a luz é concentrada no objeto e a luz de preenchimento é reduzida ou eliminada completamente, bem menos intensa do que a de high-key. Dessa forma, cria cenas mais sombrias, tensas e dramáticas. Comumente utilizados em terror, thrillers e filmes noir.

Cor

A iluminação cinematográfica é geralmente limitada a duas cores, a luz solar e a luz de velas. Mas cineastas costumam utilizar cores para contar histórias. As cores utilizadas são baseadas na psicologia. O vermelho sob o objeto ou cena indica emergência, amor ou raiva; o azul indica calma e tristeza; o roxo indica mistérios e luxo. São várias cores que podem ser utilizadas para contar a história e fica a cargo do diretor de fotografia a escolha.

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conclusão

Em conclusão, a iluminação cinematográfica é classificada pela sua intensidade, direção que está apontada para o objeto, fonte e cor. Esses aspectos em conjunto não só iluminam as cenas de várias formas, mas dá uma função narrativa. Ajuda a contar histórias e provocar emoções em quem assiste.